
Perdas acumuladas são de 42,89%
Fonte: FAPESP 23/12/2009
Os aposentados brasileiros, que ganham acima de um salário mínimo, excluindo evidentemente aqueles cujos reajustes são generosos (caso dos funcionários públicos graduados, e dos políticos beneficiados por salários generosos), amargam gradativamente a miséria que se aprofunda a cada ano que passa. Ao considerarmos a série histórica de reajuste para o salário mínimo e a série histórica de reajuste para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo notamos que as distorções se aprofundam desde a implantação do Plano Real brasileiro.
O aumento recente concedido aos aposentados, através de medida provisória, resulta, na realidade em um aprofundamento das perdas. Sabendo as autoridades governamentais que os aposentados e trabalhadores em geral estão completamente desprovidos de estudos que mostrem a realidade, alimentam, diariamente através da imprensa, a informação de que o sistema previdenciário brasileiro apresenta um déficit preocupante, sem falar do crescimento vertiginoso da dívida pública bruta que atinge a cifra aproximada de US$2 trilhões, e sem informar que o Tesouro Nacional “em outubro deste ano, tinha R$145 bilhões emprestados às Instituições financeiras federais, dos quais R$129 bilhões eram para o BNDES e R$16 bilhões à Caixa Econômica Federal, quando a média histórica no período 2000 a 2007 era de R$12 bilhões” (Jornal Estado 21/12/09).
Como sabemos, o BNDES vem contando com generosos aportes de capitais para “salvar” as empresas que especularam na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) contra a moeda nacional e que acabaram utilizando parte desses empréstimos para demitir trabalhadores, tudo em nome da grave crise econômica internacional. Hoje o governo tem sido extremamente generoso com as empresas, alegando a preservação de empregos, mas tem sido ausente em relação à recuperação das perdas crescentes para os trabalhadores em geral.Igualmente “o estoque de operações compromissadas – colocação de papéis no mercado, através do Banco Central, com o compromisso de recomprá-los na data contratada – atingiu R$500,17 bilhões.
Esses números começaram a aumentar substancialmente a partir da política de acumulação de reservas cambiais e da sua consequente esterilização. Do saldo acima, cerca de 60% estão em títulos públicos com prazo de 45 dias e os 40% restantes divididos praticamente ao meio em papéis com prazo de um dia e de seis meses” (Jornal Valor 06/11/09).Os fatos acima constituem a verdadeira preocupação do governo, pois o nível de endividamento cresce de forma descontrolada podendo atingir 70% do PIB, sendo necessário para isso manter as taxas de juros em patamares elevados para a rolagem dessa dívida, taxas que também contribuem para o aumento do endividamento tanto dos trabalhadores como dos aposentados que acreditam estar no Crédito Consignado a complementação do seu orçamento.
Cabe aos aposentados, empreender uma luta nacional crescente acusando essa perversa distribuição de recursos dos trabalhadores, mais uma vez, para os que possuem em detrimento daqueles que nada possuem. Mais uma vez afirmamos, se o presidente da República pretende retirar os trabalhadores da miséria em se encontram, deveria estar atento para os números que mostram estarem os aposentados sendo jogados na miséria crescente a cada ano que passa.
Prof. Dr. José Nicolau Pompeo – Departamento de Economia da PUC-SP e do MBA em decisões de Investimentos.
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